Hoje faz exatamente um ano e um mês que minha mãe morreu. Estava completamente lúcida e frágil - seus pulmões forma silenciando aos poucos - e a força de suas pernas cedendo . Então, sem grandes sofrimentos, ela se despediu com toda a dignidade da forma de expressão de vida que encarnara .
Era uma mulher extraordinária, em especial no que diz respeito a sua elegância inata de atitudes e nobreza de sentimentos. Deixou uma herança material - de obejtos de arte a miudezas mimosas - que lhe era muito querida e a qual dei o melhor destino que pude, preservando - até agora - quase tudo.
É claro que os bens simbolicamente mais preciosos serão mantidos. Mas preciso deixar muitas outras coisas irem. As mais substanciais - como imóveis e investimentos - aparentemente me seriam mais indiferentes, mas como esta divisão formal de bens - acabar nada mais estará em seu nome e quando o inventário , seus registros - até mesmo de seus números de identidade (nosso rótulo identificador único neste universo formal tão homogeneizante ) - será extinto .
Tento analisar, para dar prosseguimento ao processo de inicio do inventário ( o da abertura do testamento só acabou agora) esta minha resistência, este meu pânico de mexer na papelada necessária. Realmente, estou em período de vida agitadíssimo, tenho desculpas concretas para minha aparente leseira .
Mas devo reconhecer que uma projeção da morte de minha mãe na minha própria deve ser incluído neste recuo.
Então, lembro que, também, agora cai sobre mim a responsabilidade do Legado !!!
(More soon )
